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Oficina reúne Cojira e formação no Sindicato

A primeira parceria entre a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) e a diretoria de formação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro foi bem sucedida ao promover a oficina “Lei 10.639/03: para além do chão da escola, a construção de uma sociedade antirracista“, que reflete sobre como materiais jornalísticos, publicitários e documentais (mais especificamente na forma de documentários em vídeo e película) podem contribuir para o combate ao racismo no Brasil.

A oficina foi produzida pelas mestrandas Ana Gomes, Luciana Ribeiro e Zamara Pinheiro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), orientadas pela professora Maria Elena Viana Souza coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Étnico-raciais (GEPEER) do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). A professora e jornalista Carmen Pereira representou a diretoria de formação do sindicato na realização deste trabalho.

O objetivo desta oficina é sensibilizar profissionais e estudantes do ensino superior (especialmente da área de Comunicação Social) para o conhecimento mais aprofundado da lei federal 10.639/03 (que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)) e seu importante papel na promoção de uma sociedade antirracista. Vale lembrar que o tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado em 04/ 12/ 2016, foi “Caminhos para combater o racismo no Brasil”, que pediu ao candidato para apresentar “proposta de intervenção que respeite os direitos humanos”. A previsão é que a mesma oficina retorne ao sindicato no segundo semestre de 2017.

A metodologia da oficina parte da exibição do curta-metragem Alma no olho de Zózimo Bulbul. Em seguida são mostrados exemplos de matérias jornalísticas e peças publicitárias analisados com visão crítica baseada nas leituras de obras de Aimé Césaire, Anibal Quijano, Frantz Fanon, Kabenguele Munanga, Lélia Gonzalez, Lia Vieira, Maria Elena Viana Souza e Thomas Skidmore, além da documentação oficial que regulamenta a Lei 10.639/03. Nesta análise também os livros didáticos são colocados na berlinda, visando com isso tornar todo este conjunto de obras um material pedagógico antirracista, além de pensar como tem ocorrido a formação étnico-racial nos cursos superiores.

A oficina contou com as participações do professor Kássio Motta da Faculdade Helio Alonso (FACHA) onde leciona no curso de Jornalismo e da jornalista Iara Cruz, experiente profissional da imprensa especialmente com atuação na televisão e que atualmente, trabalhando na TV ALERJ (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), produz um documentário sobre a história do negro no Brasil com estréia prevista para o primeiro semestre de 2017.

  • Sandra Martins

    Dois momentos ímpares que se completaram. Profissionais de áreas diferentes – Educação e Comunicação, basicamente, mas também de outros campos – que foram instigados a repensar práticas, falas, olhares, sensibilidades, que mesmo aqueles que se policia cotidianamente se vê enredeado no emaranhado de pre-concepções entorpecentes e quando nos damos conta… pimba… naturalizamos e não nos incomodamos e deixamos passar “batido” o que o professor não deixou passar… Com isso, ele percebeu, um não-dito, um incomodo, um algo estranho, vozes caladas, a subalternidade que precisava falar, pois gritava mudamente – como nos coloca Thompson que nos faz dialogar com Bakunin, Kropotkin e Fanon. Sem espetacularizar, as caixas de pandora – método biográfico – são abertas com a ajuda, a meu ver, ou pelo menos me evoca tal ajuda, de Pollak, Halbwachs,Bosi. Enfim, uma delícia, pois lembro de tanta gente bacana, autores deliciosos, nossa história sendo reconstruída a partir de nossas memórias.

    Parabéns pessoal, uma bela troca que o sindicato proporcionou, afinal, são momentos importantes de (in)formação que o profissional precisa e que são importantes para ele/ela e mais ainda para a empresa que é a grande premiada ao fim e ao cabo.