Depois de longa luta contra o câncer, morreu na madrugada desta sexta-feira (5) o jornalista Aristélio Travassos de Andrade. Nascido em 1934, Aristélio passou pelas redações de importantes veículos de comunicação do país e nos últimos anos assinava a coluna Entre Linhas, publicada no jornal A Voz da Serra, em Nova Friburgo, onde residia. Casado há mais de 40 anos com Marly, deixa também os filhos Alexandre e Sylas e netos.
Natural de Timbaúba, no interior de Pernambuco, Aristélio veio para o Rio de Janeiro com sua família aos 3 anos de idade. Começou seus estudos no Instituto Teológico Adventista (atual Colégio Petropolitano de Ensino), mais tarde cursou contabilidade, trabalhando durante o dia na Casa Turuna, no Rio de Janeiro. Depois que se formou contraiu tuberculose e foi morar em São José dos Campos (SP). Um ano depois, já com a doença controlada, entrou para o Centro Tecnológico da Aeronáutica.
Em seguida se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual nunca se afastou. Trabalhou durante vários anos na Petrobras. Durante o regime militar, devido a seu engajamento político, ficou detido no presídio da Frei Caneca. A prisão trouxe um novo rumo a sua vida profissional. Graças aos contatos feitos nesse período, começou a trabalhar como jornalista, destacando-se como um dos mais competentes e respeitados profissionais da imprensa brasileira.
Aristélio trabalhou no Jornal dos Sports, Correio da Manhã, nas sucursais cariocas dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, assim como em O Globo. Depois foi para São Paulo, trabalhando em diversas revistas da Editora Abril, entre elas, Realidade e a enciclopédia em fascículos Conhecer. Junto com Maurício Azêdo, José Trajano e outros, fundou a revista Placar.
Acabou voltando para o Rio de Janeiro, indo trabalhar na extinta TV Manchete. Dois anos depois regressou à Petrobras. Quando Fernando Collor foi eleito presidente, em 1990, Aristélio pediu demissão e se mudou para Nova Friburgo. Foi o primeiro diretor de jornalismo da antiga TV Serramar, atual InterTV. Nessa época abriu o restaurante japonês Kyori, no Cônego, tendo sido precursor deste gênero gastronômico na cidade.
Paralelamente, engajou-se na diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em Nova Friburgo se filiou à Associação Friburguense de Imprensa (AFI) e foi empossado como membro da Academia Friburguense de Letras (AFL). Nesse período, candidatou-se a prefeito de Nova Friburgo pelo PCB, conquistando oito mil votos, correspondentes a 7% da votação. Também foi candidato a deputado estadual.
Fonte: A Voz da Serra
