Os jornalistas da Rede Globo decidiram, em assembleia nesta quinta-feira (28/08), concentrar esforços nas reivindicações pelo fim do banco de horas negativo, da jornada estendida de 12 dias e pela flexibilização da hora de descanso. As demandas serão encaminhadas pelo Sindicato na mesa redonda do Ministério do Trabalho. Antes, porém, os profissionais deverão se reunir na próxima quinta-feira (04/09), ao meio-dia, no Colégio Divina Providência (Rua Lopes Quintas 274, Jardim Botânico) para delinear a proposta a ser encaminhada para a empresa.
O Sindicato sugere o abono das horas relativas aos sábados não trabalhados e a adoção de uma escala diferenciada. Tais medidas permitiriam a emissora cumprir a lei, respeitando a folga após seis dias de trabalho e extinguindo a dívida de horas que é sustendada pelos funcionários a cada mês.
Apesar de a empresa não ter oferecido alternativas às denúncias apresentadas pelo Sindicato na mesa redonda, os jornalistas da Globo apostam ser necessário mais uma rodada de diálogo, com a apresentação de uma proposta, antes de tomar medidas mais sérias, como denúncia ao Ministério Público do Trabalho ou fiscalização do Ministério do Trabalho.
É importante a participação dos mais de 800 jornalistas da emissora na assembleia da próxima quinta-feira por se tratar de um assunto sensível, e que atinge diretamente todos os profissionais. Participe e chame os amigos.
Entenda o caso
Após cinco meses de diálogo e negociações em Mesas Redondas no Ministério do Trabalho, a Rede Globo não apresentou respostas para uma série de reclamações dos trabalhadores. Desta forma, foi decidido na última segunda-feira (25/08) que as negociações seriam congeladas por até 60 dias. Com a apresentação da proposta a ser formulada na semana que vem, o processo poderá ser retomado. O Ministério do Trabalho atua apenas como mediador na etapa da mesa redonda, e tenta conciliar os interesses das partes. Caso a solução não seja possível, Ministério Público do Trabalho, fiscalização do MTE e Justiça trabalhistas surgem como alternativas.
Desde março, o Sindicato recebeu várias denúncias de violações de direitos na Rede Globo. Houve relatos de redução salarial; de sobrecarga de trabalho, com jornadas estendidas sem a folga a cada seis dias e a cobrança mensal de horas extras negativas (referentes aos sábados de folga); de quebra da isonomia salarial entre jornalistas da TV Globo e da Globonews; e ainda de assédio moral e de desrespeito à hora de almoço.
Em relação à redução salarial observada nos contracheques de março, a empresa chegou a anunciar que pagaria indenização referente à perda de remuneração, mas nesta segunda informou que decidiu, ao invés da indenização, pagar a título de antecipação salarial o valor correspondente às perdas individuais, calculado a partir da média de horas extras praticadas nos seis meses anteriores. Segundo a Rede Globo, o que houve foi uma oscilação atípica, para menor, na quantidade de horas extras de parte dos funcionários. Como se trata de antecipação, a empresa informou que ainda decidirá se cobrará ou não futuramente dos jornalistas o valor adiantado.