Sindicato dos Jornalistas

sábado, abril 5, 2025
InícioDestaqueJornalista será um dos mais afetados por lei de terceirizações

Jornalista será um dos mais afetados por lei de terceirizações

Os jornalistas serão uma das categorias profissionais mais afetadas caso vire lei o projeto 4330 que amplia e regulamenta as terceirizações no país. Isso porque a proposta legaliza a ‘pejotização’ – instrumento de contratação de trabalhador como pessoa jurídica -, prática que, além de fraudar a lei trabalhista, vem precarizando a nossa profissão nos últimos anos. Essa foi uma das constatações do debate ‘Demissões, terceirizações e precarização do trabalho do jornalista’, realizada nesta segunda-feira (26/06) no Sindicato dentro da programação dos 80 anos da entidade.
Hoje, a ‘pejotização’ representa a maioria das denúncias encaminhadas pelo Sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT), de acordo com a procuradora Carina Botelho. Como ainda não há consenso jurídico sobre a legalidade dessas contratações, o trabalhador pode hoje reivindicar vínculo empregatício para resgatar seus direitos. Essa possibilidade, porém, seria anulada com a sanção do projeto de lei aprovado este mês na Câmara.
“[O projeto] não amplia os direitos de quem já é terceirizado e ainda reduz as garantias dos que não são. Temos que pressionar para evitar o maior retrocesso para a Justiça do Trabalho na História do país”, alertou a procuradora, convidada para a mesa do debate.
A recente onda de demissões de jornalistas são outra faceta dessa precarização do trabalho. Além de rebaixar a média salarial, substituindo profissionais experientes por outros que recebem salários até 70% mais baixos, as empresas recorrem ao discurso de redução de custos e à terceirização da produção de notícias, como em iniciativas de jornalismo dito colaborativo e no uso de material de agências de notícias, ressalta o historiador Rodrigo Teixeira.
“A atuação das assessorias de imprensa junto às redações também é uma forma de terceirização do trabalho do jornalista”, afirma o autor do livro ‘Para onde foi a CUT?’.
O panorama do mercado de trabalho terceirizado no país dá pistas de como será alto o custo social embutido no projeto de lei 4.330/2004, afirma o economista Paulo Jager, do Dieese. No debate, ele enfatizou que terceirizados têm jornada de trabalho maior, salário menor, está mais sujeito a sofrer acidentes e de trocar de emprego com maior frequência.
“[O projeto] pode até aumentar a competitividade das empresas, mas de forma espúria, por meio do arrocho de direitos. E é um benefício de curto prazo, pois só se corta custos uma vez. A impressão que dá é que o patronato do país abdicou de se posicionar no mercado internacional de forma original, optando pelo simples corte de custo em vez de apostar na pesquisa, tecnologia e inovação”, disse Jager.
A jornalista Isabela Vieira, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), disse que é ainda preocupante a desigualdade de tratamento entre funcionários contratados e terceirizados. Ao contrário da maioria dos locais de trabalho, na emissora pública federal os trabalhadores concursados são preteridos em relação aos ‘pejotizados’, tanto em termos de remuneração como de jornada.
“Lá [na EBC] a gente diz que o chão de fábrica é dividido pelo concurso. Existem os funcionários iluminados, que são contratados por outras formas, ganham mais e ficam com o filé mignon da profissão. É muito mais difícil fazer o hard news, ficar em pé o dia inteiro, do que eventualmente você ficar no ar condicionado apresentando um jornal”, disse.

Mais notícias