O que era já era ruim, ficou ainda pior. Os jornalistas de O DIA entraram o mês de março sem receber ainda janeiro. Hoje, a situação dos trabalhadores da empresa é de uma precarização das condições de trabalho sem limites – e não seria exagero dizer que do jeito que o quadro está posto, daqui a pouco estarão pagando para trabalhar diante da gestão draconiana imposta aos jornalistas pela direção da empresa.
A conclusão não pode ser outra. Em resposta à interpelação do Sindicato sobre esse abuso, em mensagem enviada na sexta-feira (27/2) solicitando uma reunião, o RH da empresa disse nesta segunda-feira (2/3) que ainda não há previsão de pagamento para janeiro e que fevereiro será pago no dia 30 de março. Um descaso sem precedente ao jornalista e sua força de trabalho.
O Sindicato, que já protocolou denuncia junto ao Ministério Público do Trabalho, estuda outras ações que possam ser tomadas.
Os jornalistas de O DIA trabalham hoje sob uma artimanha empresarial sofisticada, na qual trabalham dois meses para receber um, de acordo com aditivo em uma das cláusulas. O contrato estipula na cláusula segunda – do preço e da forma de pagamento, em aditamento, que “a data limite para pagamento dos serviços prestados é o dia 30 (trinta) do mês seguinte ao vencido, através da apresentação de nota fiscal emitida pelo CONTRATADO”.
Assim, a cada mês trabalhado, espera-se 30 dias para receber o pagamento que deveria ser feito até cinco dias do mês subsequente. Com isso, os jornalistas acabaram entrando no mês de março sem receber janeiro e fevereiro.
Mas os desmandos da gestão draconiana de O DIA não param por aí. Em reunião realizada em dezembro com os jornalistas, comunicou que os PJs, quase a totalidade da redação, não têm mais direito a folga durante a semana pelo fim de semana trabalhados, nos plantões. À medida, análoga à escravidão, está em vigor desde janeiro.
Apenas quem está em regime de CLT e estagiários têm direitos a essas folgas. Assim, o jornalista contratado como PJ arca com todos os deveres de um regime de CLT, como as escalas de horários, mas não usufrui dos mesmos direitos. Até a retirada de remuneração nas férias chegou a ser ventilada.
Com uma redação composta por 44 jornalistas contratados na forma de Pessoa Jurídica (PJ) e somente três como CLT, o contrato de O DIA é um deboche à dignidade do trabalhador. O salário oferecido ao jornalista PJ já é um acinte: R$ 2.710,34, pouco mais de um salário mínimo e meio.




