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OCUPA BRASÍLIA: EM DEFESA DA DEMOCRACIA, JORNALISTAS CLAMAM POR DIPLOMA E PISO SALARIAL EM AUDIÊNCIA NA CÂMARA

BRASÍLIA – A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados foi palco, nesta terça-feira, de uma mobilização histórica em homenagem ao Dia do Jornalista (7 de abril). A audiência pública, requerida pelo deputado Léo Prats (União-BA), extrapolou o caráter comemorativo para se tornar um grito de urgência pela valorização profissional e pela proteção da categoria diante da precarização e da desinformação.

Nas intervenções feitas pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a presidenta Samira Castro destacou “que o jornalismo vive sob ataque constante, não apenas físico, mas em sua dignidade”. Ela enfatizou a necessidade de combater a “pejotização” fraudulenta — que hoje atinge cerca de 35 mil profissionais registrados irregularmente como MEIs — e cobrou a remuneração por conteúdo jornalístico pelas plataformas digitais.

O Diploma como Garantia de Qualidade

A urgência da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Diploma foi um consenso entre os debatedores. Desde a decisão do STF em 2009, que extinguiu a exigência de nível superior, a emissão de registros profissionais tornou-se indiscriminada.

A jornalista e professora Rafiza Varão argumentou que o jornalismo deve ser encarado como um direito fundamental, indissociável do direito à informação previsto na Constituição de 1988. Para ela, a formação acadêmica é o que diferencia o interesse público do mero conteúdo comercial ou amador.

Desafios Econômicos e Violência de Gênero

A audiência também lançou luz sobre a realidade financeira da classe:

Piso Salarial: O apoio ao Projeto de Lei do Piso Salarial Nacional (de autoria do deputado Daniel Almeida) é visto como vital, dado que 40% dos jornalistas ganham até cinco salários mínimos, com muitos recebendo apenas o piso básico.

Ataques Misóginos: A deputada Erika Kokay (PT-DF) alertou para o recorte de gênero na violência contra a imprensa. Segundo ela, mulheres jornalistas são os alvos preferenciais de ataques fascistas e agressões que buscam silenciar a pluralidade de vozes.

Encaminhamentos e Resistência

Ao final do encontro, a deputada Erika Kokay propôs uma moção da comissão à Presidência da Câmara para que a PEC do Diploma e o projeto do piso salarial sejam pautados imediatamente.

A mensagem deixada pelas lideranças da FENAJ e pelos parlamentares foi de que a luta pelo diploma e pela dignidade salarial não é apenas uma demanda corporativa, mas uma salvaguarda para a própria soberania popular e para a verdade factual no Brasil.

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