No dia 7 de junho de 1977, cerca de três mil jornalistas brasileiros assinavam um manifesto contra a censura e todas as formas de cerceamento à imprensa durante a ditadura militar. Publicado na edição daquele mês do Boletim ABI, órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa, o documento foi lido no Senado Federal e na Câmara dos Deputados por políticos do MDB.
O manifesto e as matérias do Boletim denunciavam a apreensão de publicações periódicas e a não divulgação de informações pela ditadura, dando destaque às medidas restritivas recém-estipuladas pela Lei Falcão (Lei nº 6.339/1976), que cerceava a entrada de publicações estrangeiras e a propaganda eleitoral nos meios de comunicação.
A produção do Boletim envolvia muitos jornalistas renomados de veículos como O Globo e Jornal do Comércio, além do próprio presidente da ABI, Prudente de Moraes Neto, cuja assinatura encabeçava o manifesto. Era uma forte demonstração de que importantes setores da sociedade civil estavam se organizando em torno do combate às arbitrariedades da ditadura.
A ABI e os jornalistas envolvidos foram alvo de investigação do Serviço Nacional de Informações (SNI), conforme apontado nos documentos pesquisados no fundo SNI sob custódia do Arquivo Nacional. O significado histórico do manifesto se traduz na escolha do 7 de junho para a celebração do Dia Nacional da Liberdade de Imprensa.
Íntegra do Manifesto de 1977
https://www.abi.org.br/o-basta-a-censura-durante-a-ditadura/
- Arquivo Nacional/Memórias reveladas




