Uma lenda viva do jornalismo e da literatura despediu-se hoje da Terra. Mineiro de Além Paraíba, Zuenir Ventura, 95 anos, membro da Academia Brasileira de Letras, faleceu vítima de pneumonia. O corpo de Zuenir será velado na ABL, nesta quarta-feira (23) e enterrado no mausoléu dos imortais
Mestre Zu, como ficou conhecido entre seus ex-alunos e entre repórteres, acabou por formar uma legião de jornalistas, seja na universidade, seja nos diversos veículos de mídia em que atuou, era filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro desde 1960.
Professor da UFRJ afastado pela ditadura, Zuenir voltou à Universidade após a anistia. Foi professor no mestrado numa disciplina sobre cultura brasileira que tinha como mestres ele e Heloisa Buarque de Holanda, entre outros. Foi desse curso que saiu o livro “1968: o ano que não terminou”.
Em 1974, a revista Visão produziu uma edição especial sobre os 10 anos da ditadura civil-militar. A parte de cultura foi editada por ele. Um documento histórico.
Muitos jornalistas que trabalharam com Zuenir pelas redações da vida exaltam seu papel de conselheiro, orientador do cotidiano do jornalismo. Um mestre 24 horas por dia.
Quando se deu o assassinato do ambientalista Chico Mendes por grileiros em 1988, em Xapuri, Zuenir fez questão de ir pessoalmente ao Acre para acompanhar as investigações. Lá fez amizade com o jovem, que foi uma das principais peças de acusação e fonte para suas matérias para o Jornal do Brasil sobre o crime encomendado.
Na volta ao Rio de Janeiro, fez questão de trazer o jovem para preservar a segurança dele. Zuenir nos ensinou que um repórter de verdade não dá o trabalho por encerrado após a publicação, mas tem compromisso com aqueles que colocaram sua vida em risco para fazer justiça.
Essa cidade partida se une hoje para reverenciar Mestre Zu.




