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Proposta de patrões rejeita aumento real e oferece valores irrisórios para piso e vale refeição

É importante a participação de todos os jornalistas do Rio na assembleia da campanha salarial nesta quinta (27), às 11h e às 20h, no auditório do Sindicato (Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar – Centro). Os patrões de rádio, TV, jornais e revistas se recusam a conceder aumento real e oferecem reajuste que não repõe nem as perdas com a inflação: 5,26%. As propostas de piso salarial e de valor de face para os tíquetes refeição e alimentação também são irrisórias, na avaliação do Sindicato.

Os 5,26% oferecidos pelas empresas como reajuste este ano não cobrem nem a reposição da inflação pelo menor índice apurado pelo IBGE, o INPC, que fechou janeiro acumulado em 5,39%. O Sindicato rejeita a proposta e segue firme em busca de aumento real para os jornalistas.

Foi incluída pela primeira vez uma cláusula sobre piso salarial, proposta que era rechaçada pelos patrões. Os valores de R$ 1.274 (televisão), R$ 1.132 (rádio), R$ 1.100 (trainee de jornais e revistas) e R$ 1.250 (repórter de jornais ou revistas após um ano efetivado) para cinco horas de trabalho, no entanto, são insuficientes e não correspondem à realidade do custo de vida dos jornalistas cariocas hoje.

O mesmo aconteceu na discussão sobre as cláusulas de alimentação. Os patrões concordaram em fixar um valor de face para os tíquetes refeição e alimentação, mas querem dar apenas R$ 200 – o que daria R$ 7,69 por dia, praticamente um ‘vale-açaí’. No segmento de jornais e revistas, o valor é maior, mas ainda insuficiente: reajuste de 5,23% sobre o valor atual, de R$ 14,50. Pesquisa recente da Assert, associação das empresas de tíquetes refeição e alimentação, conclui que o preço médio de uma refeição na cidade do Rio é de, em média, R$ 37.

Causou estranheza ainda uma cláusula da contraproposta de rádio e TV que prevê ‘escala especial de trabalho’. O setor jurídico do Sindicato avalia que medida anula por completo as obrigações das empresas com banco de horas, já que, redigida de forma vaga, propõe a adoção de prazos especiais para compensação das horas extras, acordados entre a chefia e o jornalista. Foi rejeitada ainda a cláusula que prevê a contagem das horas de trabalho do funcionário em externas somente após a sua chegada ao local, desobrigando a empresa de zelar pelo empregado também durante seu deslocamento, como prevê a lei.

Os patrões de rádio e TV incluíram ainda um parágrafo na cláusula de garantia de emprego às vésperas da aposentadoria que, se aprovada, anularia totalmente o benefício. Diz lá que a estabilidade do jornalista que está há um ano de sua aposentadoria pode ser convertida em indenização. A redação genérica também abre brecha para que o recurso seja usado em outros tipos de estabilidade, como na licença maternidade, avalia o Sindicato.

As empresas radiodifusoras mantiveram ainda a cláusula de ‘entendimento prévio’, que já havia sido recusada pelos trabalhadores na proposta anterior. Ela prevê que o Sindicato deve entrar em contato com a empresa antes de entrar com denúncias ou ações judiciais. Os representantes de jornais e revistas não apresentaram uma proposta detalhada na rodada de negociações na tarde desta quarta-feira (26).

Todas essas propostas, que afetam diretamente a vida de todos nós jornalistas, serão analisadas na assembleia do dia 27, às 11h e às 20h. A sua presença é fundamental.