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NOTA DESAGRAVO – O RACISMO É INACEITÁVEL

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, por meio da COJIRA-Rio – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial e da Comissão de Ética, manifesta seu veemente repúdio às declarações racistas e misóginas dirigidas às jornalistas esportivas Rafaelle Seraphim, Letícia Pinho e Mariana Dionísio, profissionais que exercem com competência e dedicação seu trabalho no jornalismo esportivo brasileiro.

A publicação ofensiva, disseminada nas redes sociais por um perfil que se apresenta de forma anônima, utilizou expressões que remetem diretamente à herança escravocrata brasileira para atacar três mulheres negras que atuam na cobertura esportiva. Trata-se de uma manifestação explícita de racismo e misoginia que não pode ser relativizada como opinião ou crítica. Ao contrário, configura uma forma de violência simbólica e discriminação racial incompatível com os valores democráticos e com os princípios que regem o exercício do jornalismo.

A COJIRA, criada em 2003 no âmbito do movimento sindical dos jornalistas, tem como missão lidar com as questões relacionadas à discriminação racial no universo midiático e no mundo do trabalho, tendo a educação como elemento propulsor de acesso e promoção profissional. Uma comunicação antirracista é o que defende a COJIRA, inclusive para que as próprias empresas de comunicação acolham e salvaguardem seus profissionais contra ataques misóginos e racistas. É inaceitável que profissionais do jornalismo sejam alvos desse tipo de violência e discriminação.

Do ponto de vista ético, a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas ressalta que o ataque dirigido às profissionais fere frontalmente os princípios consagrados no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que estabelece como fundamentos da atividade jornalística o respeito à dignidade humana, aos direitos humanos e à não discriminação por motivos de raça, gênero ou origem. A tentativa de desqualificar jornalistas por sua identidade racial e de gênero não apenas agride essas profissionais, mas também atenta contra os valores éticos que sustentam o próprio campo do jornalismo.

É inaceitável que profissionais sejam atacadas simplesmente por exercerem sua função e por representarem avanços importantes na diversidade e na inclusão dentro das redações brasileiras. A presença de mulheres negras no jornalismo esportivo, historicamente marcado por forte predominância masculina, representa um passo significativo para a democratização da mídia e para a pluralidade de vozes na cobertura esportiva.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade profissional, com a liberdade de imprensa e com a promoção de um ambiente de trabalho pautado pelo respeito, pela diversidade e pela igualdade de direitos.

Manifestamos nossa solidariedade às jornalistas Rafaelle Seraphim, Letícia Pinho e Mariana Dionísio, bem como a todas as mulheres negras que enfrentam cotidianamente barreiras, preconceitos e ataques ao ocupar espaços profissionais que lhes pertencem por direito.

Também esperamos que as autoridades competentes apurem os fatos e identifiquem os responsáveis por essas manifestações, lembrando que o racismo é crime no Brasil e não pode ser tolerado sob o pretexto de liberdade de expressão.

Seguiremos firmes na defesa de um jornalismo ético, plural e comprometido com os direitos humanos e com a igualdade racial.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
COJIRA-Rio – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

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